Continuando o relato da nossa lua de mel...
6º dia (Ida para Bariloche):Acordamos cedo, tomamos o café da manhã (com direito a alfajor) e partimos para o aeroporto Aeroparque. Nosso vôo estava marcado para as 10:45. Chegamos no aeroporto, fizemos check in e fomos para a sala de embarque. Do portão de embarque, dava para ver o avião estacionado, pronto para receber os passageiros. O tempo passava e nada. No monitor o vôo estava como atrasado em 1h hora. Esperamos mais um bom tempo e o vôo foi atrasado em mais uma hora. Mais um tempo depois a má notícia: vôo cancelado. Motivo: cinzas vulcânicas, ou melhor, "cenizas volcánicas" como se diz em espanhol. Tensos, ficamos tentando entender o que fazer por alguns minutos. Enquanto Cê pegava nossas malas de volta, fui para a fila do balcão de vendas da Aerolíneas tentar reagendar nosso vôo e salvar nossa viagem. Muito tempo depois, finalmente fomos atendidos. Porém, não haviam mais opções de vôo para os próximos dias. Tínhamos de decidir: ou desistíamos de Bariloche e aproveitávamos mais uns dias em Buenos Aires, ou íamos de ônibus rasgando o centro do país em uma viagem de 22 horas. Pensamos um pouco, respiramos fundo e, enfim, decidimos. Íamos encarar a viagem de ônibus.
Fomos num locutório no aeroporto e entramos em contato com o View Hotel em Bariloche para explicar nossa situação. O proprietário, Ignacio, entendeu perfeitamente nossas condições e deixou nossas opções em aberto sem qualquer ônus por conta de desistências. Tínhamos feito reserva por 6 dias e avisamos que por conta da viagem de ônibus, íamos passar o dia viajando. Prontamente ele alterou a reserva para 5 dias, eliminando o dia de viagem. Resolvido o hotel, ligamos para a empresa de ônibus ViaBariloche e compramos nossas passagens. Já eram quase 15hs e só conseguimos passagem para as 19:40. O dia tinha se esvaído no aeroporto e o próximo seria desperdiçado viajando de ônibus. Mas estávamos resignados e felizes com nossa decisão.


Pegamos um táxi e fomos para a rodoviária esperar o ônibus. Era um cama-executivo e durante a viagem tivemos jantar (com direito a vinho), café da manhã e almoço. A poltrona era muito confortável e reclinava quase totalmente. Rolou dois filmes legais, um pela noite e outro pela manhã e durante a madrugada dormi tranquilamente. Eu detesto viagens longas de ônibus, mas não me lembro de ter feito uma tão confortável. Compartilhando o ônibus conosco, tinha uma família de brasileiros que também tiveram o vôo cancelado e que já tinha viajado para Bariloche. Deveria mesmo valer tanto esforço.
7º dia (Ida para Bariloche):Acordei com o lindo nascer do sol dos pampas. Era planície para todos os lados e a estrada era uma linha reta que se perdia no horizonte. Essa paisagem durou um bom tempo, mas à medida em que nos aproximávamos da Patagônia, as curvas começaram a surgir, e as rochas, rios, montanhas e lagos formavam uma nova paisagem. De repente, comecei a observar que o ar estava ficando cada vez mais carregado. No início, parecia uma neblina, depois achei que fosse areia levada pelo vento. Alguns quilômetros depois estávamos no meio de uma nuvem branca e a visibilidade era quase nula. Os carros passavam em direção contrária levantando mais sedimentos do acostamento e piorando a situação. Era a nuvem de cinzas vulcânicas. :-0
Esse cenário durou aproximadamente 20 minutos durante o qual ficamos pensando o que encontraríamos em Bariloche. Mas de repente, em questão de poucos segundos, a visão ficou desobstruída novamente. Olhei pra trás e vi a imensa nuvem que tínhamos acabado de atravessar. Foi uma visão realmente incrível. A estrada estava à margem de um lago e nele podíamos ver muitas cinzas flutuando na superfície, uma paisagem bonita e rara de se ver. Chegamos em Bariloche às 17hs, vitoriosos.



Antes de ir para o hotel, por precaução, passamos na loja da Aerolíneas para consultar o status do nosso vôo de volta e nos informar sobre o trajeto de ônibus para Esquel. Fora isso, não havia muito o que fazer no resto do dia. Era noite, o clima estava chuvoso, estávamos exaustos e precisando relaxar. Foi bom perceber que o hotel correspondia a todas as nossas expectativas. Além disso o proprietário é muito gentil e prestativo, gente finíssima, como se diz no Brasil. Saímos para conhecer um pouco a cidade e jantamos no Friends que fica na calle Mitre. Voltamos para o hotel e dormimos um sono de pedra.

8º dia (Cerro Otto):Acordamos ainda meio cansados da viagem do dia anterior e tomamos um excelente café da manhã. O hotel tem uma vista belíssima para o lago Nahuel Huapi e ficamos pensando logo no que fazer para aproveitar o dia. Ligamos para Vanessa Olivatti, a coordenadora de turismo que havíamos conhecido na comunidade do Orkut. Ela deu várias dicas para aproveitarmos o primeiro dia e marcamos de visitá-la no final da tarde.
Baseado nas dicas recebidas, fomos para o Cerro Otto, onde sabíamos haver uma confeitaria giratória no topo. Pegamos um ônibus (gratuito) no centro da cidade que rapidamente chegou à base do cerro. O dia era de sol com algumas nuvens esparsas. Pegamos um teleférico fechado e fomos curtindo a paisagem do parque nacional Nahuel Huapi. No topo do cerro, uma vista linda, muito vento e muito frio. Tomamos um chocolate quente na confeitaria e tiramos várias fotos enquanto ela girava lentamente permitindo visualizar os 360 graus da paisagem. Do lado de fora, um cachorro são bernardo era modelo fotográfico para quem quisesse tirar algumas fotos (o dono cobrava 15 pesos por foto). Não resistimos e levamos uma de recordação.




Decidimos voltar, mas aí, um problema: por causa dos fortes ventos, o teleférico estava parado e ficaria assim até que a situação se normalizasse. Os turistas (muitos deles brasileiros) começaram a ficar impacientes e a pressionar os funcionários. Até que surgiu uma solução. Descemos um pequeno trecho de funicular e o resto do cerro foi realizado de ônibus. Foi praticamente um resgate, rs.
Voltando para o centro, almoçamos no bar Cocodrilo's e fomos visitar a Vanessa. Muito simpática e informada, conversamos bastante com ela e resolvemos fechar dois passeios nos próximos dois dias: Refúgio Neumeyer na quinta e Circuito Chico/Cerro Catedral na sexta. O tempo estava chuvoso mas a previsão dos próximos dias era de neve. Deixamos o sábado para decidir com mais calma. De lá, fomos direto para uma loja alugar nossas roupas de neve, apostando que ela viria. E, de fato, durante aquela noite, para alegria de turistas e comerciantes, começou a nevar em Bariloche.
9º dia (Refugio Neumeyer):Eram 11 horas da manhã quando bateram à porta do hotel. Era o nosso transporte para o refúgio: um jipe 4x4 preparado para terrenos acidentados. Assinamos um termo durante o caminho atestando que tínhamos conhecimento dos riscos e fomos apreciando a estrada que ia ficando cada vez mais cheia de neve à medida em que nos afastávamos da cidade. Tinha nevado muito durante a noite e o refúgio estava repleto de neve, parecia mais um bolo de noiva. No meio do caminho, fizemos uma breve parada para tirar algumas fotos.


O refúgio era uma casa de madeira com alguns cômodos e lá dentro fomos recebidos com um almoço. A maioria comeu frango com fritas, mas eu preferi me arriscar com um ragout de feijão com carneiro. Pra dar aquela "sustança", rs.


No começo da trilha, fomos recebidos por um guia que nos passou algumas informações importantes e logo começamos a caminhada. O bosque estava lindo. A neve acumulada por todo lado proporcionava um silêncio estranho para um lugar tão aberto. Só ouvíamos o som de nossos próprios passos e das nossas vozes. Uma vez ou outra dava pra ouvir o som de um córrego ou de um pássaro. Falando em pássaro, tivemos o privilégio de ver 3 pica-paus em ação, bicando algumas árvores. Tirei algumas fotos e fiquei pensando em como seria bom ter uma teleobjetiva naquele momento.


A trilha se encerrava em um mirante que dava para uma lagoa congelada. Tomamos chá, tiramos algumas fotos e iniciamos o caminho de volta. Mas antes de retormar a trilha, fizemos skibunda em uma ladeirinha perto da lagoa. Fiz 3 descidas e Cê fez duas. Meu desempenho foi regular, mas Cécile parecia um piloto de F1, arrancando elogios do guia e de outros "pilotos". Ainda aproveitamos para fazer o tradicional boneco de neve, ressuscitando
um personagem do natal de 2009.



Fizemos a trilha de volta e retornamos para o hotel satisfeitos com o passeio. Jantamos fondue em um restaurante do centro chamado La Marmite.
10º dia (Circuito Chico/Cerro Catedral):Neve. Muita neve. A van que nos pegou para fazer o Circuito Chico não tinha outra coisa para mostrar a não ser a nevasca que caía por todo lado. Apesar da beleza em si de ver a neve caindo, era uma pena não poder observar as paisagens que normalmente faziam parte do passeio. Nosso primeiro ponto de parada foi o Cerro Campanário, eleito pela National Geographic como uma das 10 vistas mais belas do mundo. Pegamos o teleférico debaixo de muita neve e ficamos torcendo para poder ver alguma coisa lá de cima. No way. Era só neve, neve, neve... Tinha pelo menos uns 20 centímetros. Os turistas estavam maravilhados e nós também estávamos curtindo, apesar de já conhecermos a neve. Mas não podemos negar que ficou aquele gostinho amargo de não poder apreciar a vista do lugar. Nos aquecemos um pouco na confeitaria (que parecia um alfajor gigante), descemos com o teleférico e prosseguimos o passeio.



A próxima parada foi em uma lojinha de produtos baseados em rosa mosqueta, uma flor da região famosa por suas propriedades estéticas, utilizada sobretudo na aceleração da cicatrização. Na frente da loja, uma igreja com uma bela vista para o Llao Llao, o hotel mais luxuoso de Bariloche. O circuito ainda contava com outros pontos de parada, mas devido à quantidade de neve não seria possível continuar. Nesse momento a palavra neve já estava me dando nos nervos. A guia anunciou que a van ia retornar ao centro da cidade para deixar algumas pessoas enquanto o resto ia continuar o passeio no Cerro Catedral. O resto, diga-se de passagem, eram eu, Cê e Marcos, que eu já conhecia de nome através da Vanessa. Ele tinha acabado de chegar em Bariloche e ela tinha sugerido que no passeio do sábado nós dividíssemos o transporte com ele, caso decidíssemos fazer o Piedras Blancas. No caminho para Cerro Catedral, rapidamente fizemos amizade e ficamos discutindo o que fazer por lá.
Assim que chegamos, fomos almoçar em uma parrilla que fica na base do cerro. Comemos muito bem e decidimos fazer uma aula de esqui para finalmente aprender um pouco desse nobre esporte. O instrutor nos guiou até um terreno plano onde nos ensinou alguns movimentos básicos. Quando a aula chegou na parte dos esquis propriamente, já estávamos ofegantes com o esforço. Foi um festival de quedas, trombadas e escorregões, mas aos poucos eu e Cê pegamos o jeito da coisa (ou não). Na última parte da aula, fomos para um terreno mais inclinado de onde podíamos treinar uma descida, mas de leve. Mais tombos, mais escorregões e muitas risadas. :-)


No caminho de volta, percebi que a lente da minha Nikon estava totalmente embaçada e fiquei um pouco preocupado. Ela tinha pegado muita neve e ficou toda molhada em alguns momentos. Mais tarde no hotel, a deixei um pouco próxima do calefator e tudo voltou ao normal. Antes disso, passamos no Centro Cívico da cidade e fomos até as margens do lago pra apreciar a paisagem.



Saindo do Centro Cívico, fomos reencontrar a Vanessa e fechamos nosso passeio para o último dia em Bariloche: Piedras Blancas. Nessa noite, aproveitamos para visitar as lojas de chocolate da cidade. Passamos pela Fenoglio, Del Turista, Mamuschka e Rapa Nui e compramos algumas guloseimas. Devo acrescentar que tomamos um sorvete na Rapa Nui que estava fantástico. Aliás, os melhores sorvetes que eu já provei foram na Argentina. Estando lá, não desperdice a chance de provar um. Muito bom mesmo! Finalizando a noite, jantamos no El Boliche de Alberto, uma churrascaria que nos foi recomendada (aprovadíssima).
11º dia (Piedras Blancas/Cerro Catedral):Inicialmente, a idéia era fazer Piedras Blancas pela manhã e ir ao Cerro Catedral à tarde. Porém, assim que o remise (espécie de táxi fretado comum na Argentina) chegou ao nosso hotel, a notícia era a de que Piedras Blancas estava inacessível por conta da neve. Ele sugeriu que invertêssemos os passeios e foi o que fizemos. Dessa forma, passamos no albergue Achalay para pegar Marcos e fomos em direção ao Cerro Catedral. Nesse dia, para nossa satisfação, o tempo começou a abrir um pouco. O dia no Cerro Catedral estava lindo e o céu foi ficando cada vez mais azul. Passeamos um pouco na base do cerro e depois compramos os tickets para a subida Amancay, que possuía uma bela vista. Pegamos o teleférico e no topo do Amancay tomamos chocolate quente com alfajor e tiramos diversas fotografias da vista que estava magnífica. Descemos, almoçamos na mesma parrilla do dia anterior (a carne lá estava deliciosa) e encontramos o nosso remise no horário combinado para ir até o Piedras Blancas que já estava com o caminho desobstruído.





Piedras Blancas é um parque de skibunda com 4 pistas bem grandes que se diferenciam pela dificuldade e pela velocidade atingível no circuito. Tínhamos direito a 6 descidas cada um, mas logo descobrimos que esse controle era meio relaxado (eu e Cê fizemos 8 descidas cada um). As subidas eram feitas através de teleféricos e lá em cima podíamos escolher uma das 4 pistas para fazer nossas descidas montados em pequenos trenós. Inicialmente escolhemos a pista 4, a mais lenta de todas. Talvez, pela quantidade de neve ainda fofa, essa pista foi extremamente decepcionante, a gente tinha que fazer força para descer. Em alguns trechos era impossível deslizar por conta da neve que ainda estava fofa. Terminamos a pista o mais rápido possível para subir novamente e pegar um pista que valesse a pena. Seguindo o conselho de quem já estava lá há mais tempo, pegamos a pista 2 e aí foi emoção pura. Além de veloz, durante o circuito tínhamos uma vista lindíssima do lago e da cidade. Perdemos as contas de quantas vezes ficamos deslumbrados com a paisagem.



Ainda passamos pelas pistas 1 e 3, mas concluímos que a 2 era a melhor realmente. Em alguns trechos a gente tinha até um pouco de cuidado para não se empolgar demais e acabar escapando nas curvas, senão era queda ribanceira abaixo. O trecho final era uma reta alucinante e um pequeno erro era suficiente para dar aquela capotada homérica, como aconteceu comigo. Mas o pior não foi a capotada e sim uma mulher que veio atrás a toda velocidade e deu uma joelhada nas minhas costas que tá doendo até agora, rs.

Depois de várias descidas estávamos exaustos, mas gastamos todas as nossas fichas. Teve um momento, ainda no começo da diversão que me deixou tenso. Na base do teleférico havia algumas escadas e corrimões de madeira. Com o trânsito de pessoas (tinha pelo menos umas 2 excursões de estudantes nesse dia) a neve ficou bem batida nesses locais e virou um gelo escorregadiço. Eu quase levei um tombo e avisei a Cê e a Marcos que vinham atrás de mim para tomar cuidado. Mas não teve jeito. Atrás de Cécile vinha um grupo de estudantes e um deles se apoiou nela. Foi o suficiente para ela escorregar e levar um tombaço na escada. Fiquei bastante preocupado na hora porque ela ficou alguns segundos sem conseguir respirar direito, mas depois vimos que estava tudo OK e prosseguimos.
Nesse dia, eu não pude tirar muitas fotos porque deixei minha mochila junto com a máquina em um armário. Não era adequado descer um skibunda com um monte de peso nas costas. Porém, coloquei o smartphone no bolso do casaco e consegui tirar algumas fotos. Me arrisquei até a tirar algumas da vista a partir do teleférico, tomando muito cuidado para não deixar nada cair montanha abaixo porque senão já era.


Finalzinho de tarde, regressamos ao hotel, descansamos um pouco e fomos jantar no restaurante Familia Weiss que fica perto da catedral de Bariloche. Eu já tinha planejado comer nesse lugar semanas antes da viagem. É uma cervejaria linda, com a fachada e o interior em madeira entalhada. A cerveja de lá, como o próprio nome do restaurante já diz, é de trigo e não hesitei em pegar logo uma caneca de meio litro pra acompanhar um cordeiro patagônico. Durante o jantar, ainda rolou (gratuitamente!) uma apresentação de tango com explicações sobre os diferentes estilos e até uma aulinha para quem quisesse se aventurar. Aproveitei para filmar alguns passos pra ver se eu aprendo alguma coisa, rs.



Voltamos para o hotel e nos entregamos à desagradável tarefa de arrumar as malas. O dia seguinte ia ser longo... mais longo do que a gente imaginava.
12º dia (A caminho de casa):Como falei no post anterior, nossa volta estava confirmada pelo roteiro Bariloche/Esquel/Buenos Aires/São Paulo. Ou seja, íamos de ônibus até Esquel e de lá pegaríamos um vôo para Buenos Aires e, mais tarde, outro para São Paulo. Saímos bem cedo do hotel em direção ao famigerado aeroporto de Bariloche, de onde estava saindo os ônibus. A viagem para Esquel foi tranquila e durou umas 4 horas. Nosso vôo saiu de lá no horário e até mesmo antes do previsto, às 16hs, já estávamos em Buenos Aires. O vôo para São Paulo era às 23hs e com tanto tempo pra aproveitar, pegamos um táxi e fomos visitar o MALBA, que no domingo anterior estava fechado. Esse museu possui algumas obras de artistas importantes como Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Fernando Botero.
Abaporu (Tarsila do Amaral) encontra-se lá e é a tela brasileira mais valorizada no mundo.


O museu não é muito grande e em menos de duas horas já estávamos de volta ao aeroporto aguardando nosso vôo. Tudo transcorria normalmente. Jantamos, demos uma passada no Duty Free, fomos para a sala de embarque e ficamos esperando. Até que... adivinhem? Vôo cancelado. Pois é... de novo. Dessa vez, o motivo era falta de tripulação. Isso mesmo. A Aerolineas (supostamente) não tinha tripulação para atender nosso vôo. Aí foi aquela confusão com todo mundo correndo para retirar as malas da esteira e reagendar seus vôos. Algumas pessoas ensaiaram permanecer na área de desembarque como protesto mas logo desistiram. A gente não sabia se nossas malas tinham ido direto para São Paulo como havíamos acertado ou se estariam paradas em Buenos Aires. Eu e Cê tentamos nos dividir entre as tarefas para não perder tempo e ajeitar a nossa situação. Logo descobrimos que nossas malas realmente tinham ido para São Paulo. Assim, estávamos sem roupa e com uma noite longa pela frente até o próximo vôo das 7hs da manhã. Fiquei mais de uma hora na fila esperando a Aerolíneas arrumar transporte e um hotel para a gente. Tava a maior confusão com gente querendo furar fila e várias informações desencontradas. Já era 1h30 da madruga quando eu e Cê achamos melhor desistir do hotel pois o tempo que iríamos permanecer lá não valia a pena a tortura daquela espera (tínhamos que voltar às 5hs para o aeroporto). Eles estavam dando transporte e hotel, mas o processo era tão demorado que eles venciam pelo cansaço. Conseguimos um voucher de alimentação mixuruca (isso aí eles conseguiram num estalar de dedos) e passamos a madrugada na praça de alimentação, tentando cochilar.

Às 8hs, com uma hora de atraso, mas dessa vez sem problemas (chega né!) saiu o vôo para São Paulo. Chegamos triturados de cansaço, mas a satisfação com os passeios que fizemos superava em muito o estresse causado por empresas malditas e vulcões inconvenientes.
Fizemos quase tudo que tínhamos planejado, e estando lá descobrimos muitas coisas interessantes que valeriam a pena serem visitadas como as milongas em Buenos Aires e outros pontos turísticos de Bariloche. No futuro, esperamos voltar lá e conhecer mais o país dos nossos 'hermanos'. Foi muito bom passear na Argentina! Hasta luego!
Mais fotos no
flickr e no
fotki.
Dicas:Para aumentar ainda mais a quantidade de dicas e informações sobre Buenos Aires e Bariloche, seguem nossas humildes contribuições com as estratégias que adotamos e com o que achamos de melhor.
:: Hotéis
Como já mencionado, pesquisar no
booking e no
tripadvisor vale muito à pena. Vimos várias opções, e alguns lugares que pareciam legais à primeira vista logo se revelavam um festival de reclamações quando líamos os reviews. Antes mesmo de chegar nos hotéis escolhidos, já tínhamos uma boa idéia do que nos esperava dada a quantidade de informações contidas nesses sistemas. Por ser a nossa lua de mel, escolhemos ficar em hotéis ao invés de albergues, mas não queríamos nada com muito luxo ou necessariamente de alguma rede conhecida. Queríamos mesmo era evitar ciladas e nesse quesito não nos decepcionamos com nenhum dos dois. Muito pelo contrário, os dois hotéis eram realmente excelentes. Era muito bom retornar de um dia exausto e poder descansar e dormir em paz e com conforto.
O hotel que ficamos em Buenos Aires (
Querido) é um hotel pequeno, com cara de pousada, que fica na Villa Crespo. Tem uns 7 quartos, sendo que alguns possuem varanda. É novinho (foi inaugurado no ano passado) mas já tem uma reputação invejável no Trip Advisor, onde atualmente é o terceiro colocado dentre todas as pousadas de Buenos Aires. A sensação era de estar em uma casa com uma estrutura de hotel. Os funcionários são muito simpáticos, em especial os proprietários (Mariana e Ali) que dão várias dicas e deixam à disposição vários guias de turismo. Café da manhã, limpeza dos quartos, aquecedor, elevador, reservas, tudo 100%. Recomendo a qualquer um que quiser se aventurar em Buenos Aires e que busca conforto e um serviço personalizado por um preço justo.
Em Bariloche ficamos no
View Hotel e, durante a odisséia que foi a nossa ida, tivemos que mexer na reserva várias vezes por causa dos problemas com os vôos, inclusive na véspera da viagem. O proprietário (Ignacio) é um cara gente boa e sempre compreendia nossas solicitações. Mesmo com a nossa reserva no site do booking, ele alterou o preço de nossas diárias para o valor promocional que estava sendo oferecido aos hóspedes que faziam reservas após o acontecimento do vulcão. Todos os quartos do hotel têm uma vista linda para o lago e, assim como no Querido, o serviço é impecável. Em ambos os hotéis a sensação era de estar hospedado na casa de um amigo, com a diferença de ter total privacidade, conforto e funcionários sempre à disposição para nos deixar à vontade. Nota 10.
:: Dinheiro
Após avaliar diversas estratégias (traveller cheque, cartão de crédito, débito, VTM, dinheiro em pesos, reais, ou dólares, etc) decidimos levar a maior parte em reais para trocá-los por pesos na Argentina. Levamos também uma pequena quantidade em pesos para usar no dia da chegada. Fizemos o câmbio no banco Piano que fica na Avenida Scalabrini, pertinho do hotel e a taxa estava de aproximadamente 2,60 ou seja, 1 real para 2,60 pesos. Nas casas de câmbio do Brasil, essa taxa estava algo em torno de 2,08, o que é muito pior. Em Buenos Aires e Bariloche, alguns lugares aceitavam reais, porém a taxa adotada também era próxima a 2 pesos. Li em um site que valeria a pena trocar reais por dólares e depois por pesos na Argentina, mas achei totalmente bizarro. Fiz as contas e não entendi como isso poderia ser vantajoso.
Quanto aos cartões, o meu cartão de crédito usa uma taxa de câmbio próxima a 2,50 o que também é muito bom, dada a conveniência. Porém tem um IOF de 6,38%. Ou seja, usar pesos em espécie ainda é melhor apesar de ter o inconveniente de ter que ficar guardando dinheiro no hotel ou ficar carregando ele na cintura. O cartão de débito tem uma taxa de saque no exterior (atualmente o BB cobra uma tarifa de R$12,00) e por isso só é recomendável utilizá-lo para sacar quantias consideráveis e só em caso de necessidade. Por fim, traveller cheque é coisa do passado e o VTM é uma boa opção mas só pra quem vai pagar em euros ou dólares, o que não era o caso. Informações mais detalhadas podem ser encontradas no ótimo blog
Viaje na Viagem.
:: Documentos
Para entrar na Argentina, basta levar a carteira de identidade (leve uma atualizada com no máximo 10 anos da data de emissão). Na entrada, eles te dão um formulário para você preencher e depois eles carimbam. Guarde muito bem esse formulário porque você deverá apresentá-lo quando estiver saindo do país ou quando for trocar dinheiro nas casas de câmbio. Outra opção é levar seu passaporte. Nós levamos nossas identidades, mas por precaução também levamos o nosso passaporte e deixávamos trancados na mala ou no cofre do hotel. Dessa forma, em caso de roubo, tínhamos um documento adicional para comprovar nossa identidade.
Quem quiser dirigir por lá, não é preciso tirar PID (Permissão Internacional para Dirigir). Bastar levar sua carteira de motorista. Eu não dirigi por lá, portanto estou somente ecoando as informações que encontrei na Internet quando pesquisei sobre esse assunto.
:: Segurança
Os procedimentos que adotamos por lá foram semelhantes aos adotados aqui. Ou seja, nada de ficar folheando dinheiro por aí ou de ficar mostrando aquela máquina fotográfica robusta em lugares pouco seguros como no centro de Buenos Aires, e nos bairros La Boca e Caminito. Vi várias pessoas fazendo isso despreocupadamente, mas prefiro não arriscar. Se quiser levar sua máquina DSLR para tirar fotos profissionais mas também estiver pensando em registrar todos os momentos com mais comodidade, aconselho levar adicionalmente uma digital compacta e discreta que caiba no bolso.
:: O que mais curtimos em Buenos Aires (em ordem de visitação)
Hotel Querido, City Tour (Buenos Aires Bus), Caminito, passeio pelo centro, Puerto Madero, Museu Fragata Presidente Sarmiento, Feira de San Telmo, Jardim Japonês, Parque de La Flor, restaurante Sarkis, passeio pelo Centro, molho chimichurri, os sorvetes (hummm!).
:: O que mais curtimos em Bariloche (em ordem de visitação)
View Hotel, Refugio Neumeyer, Cerro Catedral, Piedras Blancas, restaurante El Boliche do Alberto, Familia Weiss, alfajor de rosa mosqueta, cervejas artesanais.
Espero que, da mesma forma que os blogs espalhados por aí nos ajudaram a organizar nossa viagem, as informações contidas aqui auxiliem futuros viajantes a preparar seus passeios na terra do tango.