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Time Lapse com Nikon D3000

Enxugando Gelo - Fri, 08/19/2011 - 10:08
Bom, após muito tempo com isso na cabeça, finalmente resolvi dar uma olhada em como fazer time lapse no Linux com minha Nikon D3000. A propósito, na própria câmera já vem embutido um programinha que gera filmes estilo stop-motion a partir das fotos armazenadas no cartão de memória (contudo, o limite é de 100 fotos).

Passei um tempinho procurando na Web algum programa GNU/Linux que tivesse uma boa interface para controlar o obturador da câmera, mas não achei nenhum interessante. Se tivesse procurando com mais calma teria achado esse blog e esse outro blog que contém tutoriais bem interessantes e com indicações de programas que fazem essa tarefa. De qualquer forma, graças ao help providencial do meu amigo Beraldo, usei gphoto2 e a boa e velha linha de comando para fazer meu time lapse número 1 com a minha Nikon.

O procedimento é ridiculamente simples: usei um cabo USB para conectar a máquina ao notebook, ignorei as mensagens de importar arquivos e usei a seguinte linha de código para fazer as capturas:

$ ghoto2 --capture-image --interval=120

Dessa forma, uma foto era tirada a cada 120 segundos. Meu propósito era fazer um time lapse do entardecer a partir da vista do meu apartamento. Considerando o limite imposto pelo software da máquina (100 fotos) e o horário no qual comecei a tirar as fotos (16hs), 2 minutos entre as fotos era o suficiente para cobrir um intervalo de mais de 3 horas. Com um mini-tripod, posicionei a máquina no parapeito da janela e configurei no modo "A" para deixar a abertura fixa e deixar a máquina controlar a velocidade do obturador. Tirei uma foto para testar e pronto. Dei enter na linha de comando e fui fazer outras coisas.



Três horas depois, parei o programa e usei o programa da Nikon para gerar o filminho. Não foi lá uma tarde muito interessante pois o céu logo fechou por conta de uma frente fria, mas foi divertido. Nas próximas vezes espero ter mais sorte. :-)

Time lapse: entardecer em Pinheiros from Vinicius Pinheiro on Vimeo.

Categories: Pessoal

Lua de mel - Parte 2 (Bariloche)

Enxugando Gelo - Sun, 07/24/2011 - 15:22
Continuando o relato da nossa lua de mel...

6º dia (Ida para Bariloche):

Acordamos cedo, tomamos o café da manhã (com direito a alfajor) e partimos para o aeroporto Aeroparque. Nosso vôo estava marcado para as 10:45. Chegamos no aeroporto, fizemos check in e fomos para a sala de embarque. Do portão de embarque, dava para ver o avião estacionado, pronto para receber os passageiros. O tempo passava e nada. No monitor o vôo estava como atrasado em 1h hora. Esperamos mais um bom tempo e o vôo foi atrasado em mais uma hora. Mais um tempo depois a má notícia: vôo cancelado. Motivo: cinzas vulcânicas, ou melhor, "cenizas volcánicas" como se diz em espanhol. Tensos, ficamos tentando entender o que fazer por alguns minutos. Enquanto Cê pegava nossas malas de volta, fui para a fila do balcão de vendas da Aerolíneas tentar reagendar nosso vôo e salvar nossa viagem. Muito tempo depois, finalmente fomos atendidos. Porém, não haviam mais opções de vôo para os próximos dias. Tínhamos de decidir: ou desistíamos de Bariloche e aproveitávamos mais uns dias em Buenos Aires, ou íamos de ônibus rasgando o centro do país em uma viagem de 22 horas. Pensamos um pouco, respiramos fundo e, enfim, decidimos. Íamos encarar a viagem de ônibus.

Fomos num locutório no aeroporto e entramos em contato com o View Hotel em Bariloche para explicar nossa situação. O proprietário, Ignacio, entendeu perfeitamente nossas condições e deixou nossas opções em aberto sem qualquer ônus por conta de desistências. Tínhamos feito reserva por 6 dias e avisamos que por conta da viagem de ônibus, íamos passar o dia viajando. Prontamente ele alterou a reserva para 5 dias, eliminando o dia de viagem. Resolvido o hotel, ligamos para a empresa de ônibus ViaBariloche e compramos nossas passagens. Já eram quase 15hs e só conseguimos passagem para as 19:40. O dia tinha se esvaído no aeroporto e o próximo seria desperdiçado viajando de ônibus. Mas estávamos resignados e felizes com nossa decisão.



Pegamos um táxi e fomos para a rodoviária esperar o ônibus. Era um cama-executivo e durante a viagem tivemos jantar (com direito a vinho), café da manhã e almoço. A poltrona era muito confortável e reclinava quase totalmente. Rolou dois filmes legais, um pela noite e outro pela manhã e durante a madrugada dormi tranquilamente. Eu detesto viagens longas de ônibus, mas não me lembro de ter feito uma tão confortável. Compartilhando o ônibus conosco, tinha uma família de brasileiros que também tiveram o vôo cancelado e que já tinha viajado para Bariloche. Deveria mesmo valer tanto esforço.

7º dia (Ida para Bariloche):

Acordei com o lindo nascer do sol dos pampas. Era planície para todos os lados e a estrada era uma linha reta que se perdia no horizonte. Essa paisagem durou um bom tempo, mas à medida em que nos aproximávamos da Patagônia, as curvas começaram a surgir, e as rochas, rios, montanhas e lagos formavam uma nova paisagem. De repente, comecei a observar que o ar estava ficando cada vez mais carregado. No início, parecia uma neblina, depois achei que fosse areia levada pelo vento. Alguns quilômetros depois estávamos no meio de uma nuvem branca e a visibilidade era quase nula. Os carros passavam em direção contrária levantando mais sedimentos do acostamento e piorando a situação. Era a nuvem de cinzas vulcânicas. :-0

Esse cenário durou aproximadamente 20 minutos durante o qual ficamos pensando o que encontraríamos em Bariloche. Mas de repente, em questão de poucos segundos, a visão ficou desobstruída novamente. Olhei pra trás e vi a imensa nuvem que tínhamos acabado de atravessar. Foi uma visão realmente incrível. A estrada estava à margem de um lago e nele podíamos ver muitas cinzas flutuando na superfície, uma paisagem bonita e rara de se ver. Chegamos em Bariloche às 17hs, vitoriosos.




Antes de ir para o hotel, por precaução, passamos na loja da Aerolíneas para consultar o status do nosso vôo de volta e nos informar sobre o trajeto de ônibus para Esquel. Fora isso, não havia muito o que fazer no resto do dia. Era noite, o clima estava chuvoso, estávamos exaustos e precisando relaxar. Foi bom perceber que o hotel correspondia a todas as nossas expectativas. Além disso o proprietário é muito gentil e prestativo, gente finíssima, como se diz no Brasil. Saímos para conhecer um pouco a cidade e jantamos no Friends que fica na calle Mitre. Voltamos para o hotel e dormimos um sono de pedra.



8º dia (Cerro Otto):

Acordamos ainda meio cansados da viagem do dia anterior e tomamos um excelente café da manhã. O hotel tem uma vista belíssima para o lago Nahuel Huapi e ficamos pensando logo no que fazer para aproveitar o dia. Ligamos para Vanessa Olivatti, a coordenadora de turismo que havíamos conhecido na comunidade do Orkut. Ela deu várias dicas para aproveitarmos o primeiro dia e marcamos de visitá-la no final da tarde.

Baseado nas dicas recebidas, fomos para o Cerro Otto, onde sabíamos haver uma confeitaria giratória no topo. Pegamos um ônibus (gratuito) no centro da cidade que rapidamente chegou à base do cerro. O dia era de sol com algumas nuvens esparsas. Pegamos um teleférico fechado e fomos curtindo a paisagem do parque nacional Nahuel Huapi. No topo do cerro, uma vista linda, muito vento e muito frio. Tomamos um chocolate quente na confeitaria e tiramos várias fotos enquanto ela girava lentamente permitindo visualizar os 360 graus da paisagem. Do lado de fora, um cachorro são bernardo era modelo fotográfico para quem quisesse tirar algumas fotos (o dono cobrava 15 pesos por foto). Não resistimos e levamos uma de recordação.





Decidimos voltar, mas aí, um problema: por causa dos fortes ventos, o teleférico estava parado e ficaria assim até que a situação se normalizasse. Os turistas (muitos deles brasileiros) começaram a ficar impacientes e a pressionar os funcionários. Até que surgiu uma solução. Descemos um pequeno trecho de funicular e o resto do cerro foi realizado de ônibus. Foi praticamente um resgate, rs.

Voltando para o centro, almoçamos no bar Cocodrilo's e fomos visitar a Vanessa. Muito simpática e informada, conversamos bastante com ela e resolvemos fechar dois passeios nos próximos dois dias: Refúgio Neumeyer na quinta e Circuito Chico/Cerro Catedral na sexta. O tempo estava chuvoso mas a previsão dos próximos dias era de neve. Deixamos o sábado para decidir com mais calma. De lá, fomos direto para uma loja alugar nossas roupas de neve, apostando que ela viria. E, de fato, durante aquela noite, para alegria de turistas e comerciantes, começou a nevar em Bariloche.

9º dia (Refugio Neumeyer):

Eram 11 horas da manhã quando bateram à porta do hotel. Era o nosso transporte para o refúgio: um jipe 4x4 preparado para terrenos acidentados. Assinamos um termo durante o caminho atestando que tínhamos conhecimento dos riscos e fomos apreciando a estrada que ia ficando cada vez mais cheia de neve à medida em que nos afastávamos da cidade. Tinha nevado muito durante a noite e o refúgio estava repleto de neve, parecia mais um bolo de noiva. No meio do caminho, fizemos uma breve parada para tirar algumas fotos.



O refúgio era uma casa de madeira com alguns cômodos e lá dentro fomos recebidos com um almoço. A maioria comeu frango com fritas, mas eu preferi me arriscar com um ragout de feijão com carneiro. Pra dar aquela "sustança", rs.



No começo da trilha, fomos recebidos por um guia que nos passou algumas informações importantes e logo começamos a caminhada. O bosque estava lindo. A neve acumulada por todo lado proporcionava um silêncio estranho para um lugar tão aberto. Só ouvíamos o som de nossos próprios passos e das nossas vozes. Uma vez ou outra dava pra ouvir o som de um córrego ou de um pássaro. Falando em pássaro, tivemos o privilégio de ver 3 pica-paus em ação, bicando algumas árvores. Tirei algumas fotos e fiquei pensando em como seria bom ter uma teleobjetiva naquele momento.



A trilha se encerrava em um mirante que dava para uma lagoa congelada. Tomamos chá, tiramos algumas fotos e iniciamos o caminho de volta. Mas antes de retormar a trilha, fizemos skibunda em uma ladeirinha perto da lagoa. Fiz 3 descidas e Cê fez duas. Meu desempenho foi regular, mas Cécile parecia um piloto de F1, arrancando elogios do guia e de outros "pilotos". Ainda aproveitamos para fazer o tradicional boneco de neve, ressuscitando um personagem do natal de 2009.




Fizemos a trilha de volta e retornamos para o hotel satisfeitos com o passeio. Jantamos fondue em um restaurante do centro chamado La Marmite.

10º dia (Circuito Chico/Cerro Catedral):

Neve. Muita neve. A van que nos pegou para fazer o Circuito Chico não tinha outra coisa para mostrar a não ser a nevasca que caía por todo lado. Apesar da beleza em si de ver a neve caindo, era uma pena não poder observar as paisagens que normalmente faziam parte do passeio. Nosso primeiro ponto de parada foi o Cerro Campanário, eleito pela National Geographic como uma das 10 vistas mais belas do mundo. Pegamos o teleférico debaixo de muita neve e ficamos torcendo para poder ver alguma coisa lá de cima. No way. Era só neve, neve, neve... Tinha pelo menos uns 20 centímetros. Os turistas estavam maravilhados e nós também estávamos curtindo, apesar de já conhecermos a neve. Mas não podemos negar que ficou aquele gostinho amargo de não poder apreciar a vista do lugar. Nos aquecemos um pouco na confeitaria (que parecia um alfajor gigante), descemos com o teleférico e prosseguimos o passeio.




A próxima parada foi em uma lojinha de produtos baseados em rosa mosqueta, uma flor da região famosa por suas propriedades estéticas, utilizada sobretudo na aceleração da cicatrização. Na frente da loja, uma igreja com uma bela vista para o Llao Llao, o hotel mais luxuoso de Bariloche. O circuito ainda contava com outros pontos de parada, mas devido à quantidade de neve não seria possível continuar. Nesse momento a palavra neve já estava me dando nos nervos. A guia anunciou que a van ia retornar ao centro da cidade para deixar algumas pessoas enquanto o resto ia continuar o passeio no Cerro Catedral. O resto, diga-se de passagem, eram eu, Cê e Marcos, que eu já conhecia de nome através da Vanessa. Ele tinha acabado de chegar em Bariloche e ela tinha sugerido que no passeio do sábado nós dividíssemos o transporte com ele, caso decidíssemos fazer o Piedras Blancas. No caminho para Cerro Catedral, rapidamente fizemos amizade e ficamos discutindo o que fazer por lá.

Assim que chegamos, fomos almoçar em uma parrilla que fica na base do cerro. Comemos muito bem e decidimos fazer uma aula de esqui para finalmente aprender um pouco desse nobre esporte. O instrutor nos guiou até um terreno plano onde nos ensinou alguns movimentos básicos. Quando a aula chegou na parte dos esquis propriamente, já estávamos ofegantes com o esforço. Foi um festival de quedas, trombadas e escorregões, mas aos poucos eu e Cê pegamos o jeito da coisa (ou não). Na última parte da aula, fomos para um terreno mais inclinado de onde podíamos treinar uma descida, mas de leve. Mais tombos, mais escorregões e muitas risadas. :-)



No caminho de volta, percebi que a lente da minha Nikon estava totalmente embaçada e fiquei um pouco preocupado. Ela tinha pegado muita neve e ficou toda molhada em alguns momentos. Mais tarde no hotel, a deixei um pouco próxima do calefator e tudo voltou ao normal. Antes disso, passamos no Centro Cívico da cidade e fomos até as margens do lago pra apreciar a paisagem.




Saindo do Centro Cívico, fomos reencontrar a Vanessa e fechamos nosso passeio para o último dia em Bariloche: Piedras Blancas. Nessa noite, aproveitamos para visitar as lojas de chocolate da cidade. Passamos pela Fenoglio, Del Turista, Mamuschka e Rapa Nui e compramos algumas guloseimas. Devo acrescentar que tomamos um sorvete na Rapa Nui que estava fantástico. Aliás, os melhores sorvetes que eu já provei foram na Argentina. Estando lá, não desperdice a chance de provar um. Muito bom mesmo! Finalizando a noite, jantamos no El Boliche de Alberto, uma churrascaria que nos foi recomendada (aprovadíssima).

11º dia (Piedras Blancas/Cerro Catedral):

Inicialmente, a idéia era fazer Piedras Blancas pela manhã e ir ao Cerro Catedral à tarde. Porém, assim que o remise (espécie de táxi fretado comum na Argentina) chegou ao nosso hotel, a notícia era a de que Piedras Blancas estava inacessível por conta da neve. Ele sugeriu que invertêssemos os passeios e foi o que fizemos. Dessa forma, passamos no albergue Achalay para pegar Marcos e fomos em direção ao Cerro Catedral. Nesse dia, para nossa satisfação, o tempo começou a abrir um pouco. O dia no Cerro Catedral estava lindo e o céu foi ficando cada vez mais azul. Passeamos um pouco na base do cerro e depois compramos os tickets para a subida Amancay, que possuía uma bela vista. Pegamos o teleférico e no topo do Amancay tomamos chocolate quente com alfajor e tiramos diversas fotografias da vista que estava magnífica. Descemos, almoçamos na mesma parrilla do dia anterior (a carne lá estava deliciosa) e encontramos o nosso remise no horário combinado para ir até o Piedras Blancas que já estava com o caminho desobstruído.






Piedras Blancas é um parque de skibunda com 4 pistas bem grandes que se diferenciam pela dificuldade e pela velocidade atingível no circuito. Tínhamos direito a 6 descidas cada um, mas logo descobrimos que esse controle era meio relaxado (eu e Cê fizemos 8 descidas cada um). As subidas eram feitas através de teleféricos e lá em cima podíamos escolher uma das 4 pistas para fazer nossas descidas montados em pequenos trenós. Inicialmente escolhemos a pista 4, a mais lenta de todas. Talvez, pela quantidade de neve ainda fofa, essa pista foi extremamente decepcionante, a gente tinha que fazer força para descer. Em alguns trechos era impossível deslizar por conta da neve que ainda estava fofa. Terminamos a pista o mais rápido possível para subir novamente e pegar um pista que valesse a pena. Seguindo o conselho de quem já estava lá há mais tempo, pegamos a pista 2 e aí foi emoção pura. Além de veloz, durante o circuito tínhamos uma vista lindíssima do lago e da cidade. Perdemos as contas de quantas vezes ficamos deslumbrados com a paisagem.




Ainda passamos pelas pistas 1 e 3, mas concluímos que a 2 era a melhor realmente. Em alguns trechos a gente tinha até um pouco de cuidado para não se empolgar demais e acabar escapando nas curvas, senão era queda ribanceira abaixo. O trecho final era uma reta alucinante e um pequeno erro era suficiente para dar aquela capotada homérica, como aconteceu comigo. Mas o pior não foi a capotada e sim uma mulher que veio atrás a toda velocidade e deu uma joelhada nas minhas costas que tá doendo até agora, rs.


Depois de várias descidas estávamos exaustos, mas gastamos todas as nossas fichas. Teve um momento, ainda no começo da diversão que me deixou tenso. Na base do teleférico havia algumas escadas e corrimões de madeira. Com o trânsito de pessoas (tinha pelo menos umas 2 excursões de estudantes nesse dia) a neve ficou bem batida nesses locais e virou um gelo escorregadiço. Eu quase levei um tombo e avisei a Cê e a Marcos que vinham atrás de mim para tomar cuidado. Mas não teve jeito. Atrás de Cécile vinha um grupo de estudantes e um deles se apoiou nela. Foi o suficiente para ela escorregar e levar um tombaço na escada. Fiquei bastante preocupado na hora porque ela ficou alguns segundos sem conseguir respirar direito, mas depois vimos que estava tudo OK e prosseguimos.

Nesse dia, eu não pude tirar muitas fotos porque deixei minha mochila junto com a máquina em um armário. Não era adequado descer um skibunda com um monte de peso nas costas. Porém, coloquei o smartphone no bolso do casaco e consegui tirar algumas fotos. Me arrisquei até a tirar algumas da vista a partir do teleférico, tomando muito cuidado para não deixar nada cair montanha abaixo porque senão já era.



Finalzinho de tarde, regressamos ao hotel, descansamos um pouco e fomos jantar no restaurante Familia Weiss que fica perto da catedral de Bariloche. Eu já tinha planejado comer nesse lugar semanas antes da viagem. É uma cervejaria linda, com a fachada e o interior em madeira entalhada. A cerveja de lá, como o próprio nome do restaurante já diz, é de trigo e não hesitei em pegar logo uma caneca de meio litro pra acompanhar um cordeiro patagônico. Durante o jantar, ainda rolou (gratuitamente!) uma apresentação de tango com explicações sobre os diferentes estilos e até uma aulinha para quem quisesse se aventurar. Aproveitei para filmar alguns passos pra ver se eu aprendo alguma coisa, rs.




Voltamos para o hotel e nos entregamos à desagradável tarefa de arrumar as malas. O dia seguinte ia ser longo... mais longo do que a gente imaginava.

12º dia (A caminho de casa):

Como falei no post anterior, nossa volta estava confirmada pelo roteiro Bariloche/Esquel/Buenos Aires/São Paulo. Ou seja, íamos de ônibus até Esquel e de lá pegaríamos um vôo para Buenos Aires e, mais tarde, outro para São Paulo. Saímos bem cedo do hotel em direção ao famigerado aeroporto de Bariloche, de onde estava saindo os ônibus. A viagem para Esquel foi tranquila e durou umas 4 horas. Nosso vôo saiu de lá no horário e até mesmo antes do previsto, às 16hs, já estávamos em Buenos Aires. O vôo para São Paulo era às 23hs e com tanto tempo pra aproveitar, pegamos um táxi e fomos visitar o MALBA, que no domingo anterior estava fechado. Esse museu possui algumas obras de artistas importantes como Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Fernando Botero. Abaporu (Tarsila do Amaral) encontra-se lá e é a tela brasileira mais valorizada no mundo.



O museu não é muito grande e em menos de duas horas já estávamos de volta ao aeroporto aguardando nosso vôo. Tudo transcorria normalmente. Jantamos, demos uma passada no Duty Free, fomos para a sala de embarque e ficamos esperando. Até que... adivinhem? Vôo cancelado. Pois é... de novo. Dessa vez, o motivo era falta de tripulação. Isso mesmo. A Aerolineas (supostamente) não tinha tripulação para atender nosso vôo. Aí foi aquela confusão com todo mundo correndo para retirar as malas da esteira e reagendar seus vôos. Algumas pessoas ensaiaram permanecer na área de desembarque como protesto mas logo desistiram. A gente não sabia se nossas malas tinham ido direto para São Paulo como havíamos acertado ou se estariam paradas em Buenos Aires. Eu e Cê tentamos nos dividir entre as tarefas para não perder tempo e ajeitar a nossa situação. Logo descobrimos que nossas malas realmente tinham ido para São Paulo. Assim, estávamos sem roupa e com uma noite longa pela frente até o próximo vôo das 7hs da manhã. Fiquei mais de uma hora na fila esperando a Aerolíneas arrumar transporte e um hotel para a gente. Tava a maior confusão com gente querendo furar fila e várias informações desencontradas. Já era 1h30 da madruga quando eu e Cê achamos melhor desistir do hotel pois o tempo que iríamos permanecer lá não valia a pena a tortura daquela espera (tínhamos que voltar às 5hs para o aeroporto). Eles estavam dando transporte e hotel, mas o processo era tão demorado que eles venciam pelo cansaço. Conseguimos um voucher de alimentação mixuruca (isso aí eles conseguiram num estalar de dedos) e passamos a madrugada na praça de alimentação, tentando cochilar.


Às 8hs, com uma hora de atraso, mas dessa vez sem problemas (chega né!) saiu o vôo para São Paulo. Chegamos triturados de cansaço, mas a satisfação com os passeios que fizemos superava em muito o estresse causado por empresas malditas e vulcões inconvenientes.

Fizemos quase tudo que tínhamos planejado, e estando lá descobrimos muitas coisas interessantes que valeriam a pena serem visitadas como as milongas em Buenos Aires e outros pontos turísticos de Bariloche. No futuro, esperamos voltar lá e conhecer mais o país dos nossos 'hermanos'. Foi muito bom passear na Argentina! Hasta luego!

Mais fotos no flickr e no fotki.

Dicas:

Para aumentar ainda mais a quantidade de dicas e informações sobre Buenos Aires e Bariloche, seguem nossas humildes contribuições com as estratégias que adotamos e com o que achamos de melhor.

:: Hotéis

Como já mencionado, pesquisar no booking e no tripadvisor vale muito à pena. Vimos várias opções, e alguns lugares que pareciam legais à primeira vista logo se revelavam um festival de reclamações quando líamos os reviews. Antes mesmo de chegar nos hotéis escolhidos, já tínhamos uma boa idéia do que nos esperava dada a quantidade de informações contidas nesses sistemas. Por ser a nossa lua de mel, escolhemos ficar em hotéis ao invés de albergues, mas não queríamos nada com muito luxo ou necessariamente de alguma rede conhecida. Queríamos mesmo era evitar ciladas e nesse quesito não nos decepcionamos com nenhum dos dois. Muito pelo contrário, os dois hotéis eram realmente excelentes. Era muito bom retornar de um dia exausto e poder descansar e dormir em paz e com conforto.

O hotel que ficamos em Buenos Aires (Querido) é um hotel pequeno, com cara de pousada, que fica na Villa Crespo. Tem uns 7 quartos, sendo que alguns possuem varanda. É novinho (foi inaugurado no ano passado) mas já tem uma reputação invejável no Trip Advisor, onde atualmente é o terceiro colocado dentre todas as pousadas de Buenos Aires. A sensação era de estar em uma casa com uma estrutura de hotel. Os funcionários são muito simpáticos, em especial os proprietários (Mariana e Ali) que dão várias dicas e deixam à disposição vários guias de turismo. Café da manhã, limpeza dos quartos, aquecedor, elevador, reservas, tudo 100%. Recomendo a qualquer um que quiser se aventurar em Buenos Aires e que busca conforto e um serviço personalizado por um preço justo.

Em Bariloche ficamos no View Hotel e, durante a odisséia que foi a nossa ida, tivemos que mexer na reserva várias vezes por causa dos problemas com os vôos, inclusive na véspera da viagem. O proprietário (Ignacio) é um cara gente boa e sempre compreendia nossas solicitações. Mesmo com a nossa reserva no site do booking, ele alterou o preço de nossas diárias para o valor promocional que estava sendo oferecido aos hóspedes que faziam reservas após o acontecimento do vulcão. Todos os quartos do hotel têm uma vista linda para o lago e, assim como no Querido, o serviço é impecável. Em ambos os hotéis a sensação era de estar hospedado na casa de um amigo, com a diferença de ter total privacidade, conforto e funcionários sempre à disposição para nos deixar à vontade. Nota 10.

:: Dinheiro

Após avaliar diversas estratégias (traveller cheque, cartão de crédito, débito, VTM, dinheiro em pesos, reais, ou dólares, etc) decidimos levar a maior parte em reais para trocá-los por pesos na Argentina. Levamos também uma pequena quantidade em pesos para usar no dia da chegada. Fizemos o câmbio no banco Piano que fica na Avenida Scalabrini, pertinho do hotel e a taxa estava de aproximadamente 2,60 ou seja, 1 real para 2,60 pesos. Nas casas de câmbio do Brasil, essa taxa estava algo em torno de 2,08, o que é muito pior. Em Buenos Aires e Bariloche, alguns lugares aceitavam reais, porém a taxa adotada também era próxima a 2 pesos. Li em um site que valeria a pena trocar reais por dólares e depois por pesos na Argentina, mas achei totalmente bizarro. Fiz as contas e não entendi como isso poderia ser vantajoso.

Quanto aos cartões, o meu cartão de crédito usa uma taxa de câmbio próxima a 2,50 o que também é muito bom, dada a conveniência. Porém tem um IOF de 6,38%. Ou seja, usar pesos em espécie ainda é melhor apesar de ter o inconveniente de ter que ficar guardando dinheiro no hotel ou ficar carregando ele na cintura. O cartão de débito tem uma taxa de saque no exterior (atualmente o BB cobra uma tarifa de R$12,00) e por isso só é recomendável utilizá-lo para sacar quantias consideráveis e só em caso de necessidade. Por fim, traveller cheque é coisa do passado e o VTM é uma boa opção mas só pra quem vai pagar em euros ou dólares, o que não era o caso. Informações mais detalhadas podem ser encontradas no ótimo blog Viaje na Viagem.

:: Documentos

Para entrar na Argentina, basta levar a carteira de identidade (leve uma atualizada com no máximo 10 anos da data de emissão). Na entrada, eles te dão um formulário para você preencher e depois eles carimbam. Guarde muito bem esse formulário porque você deverá apresentá-lo quando estiver saindo do país ou quando for trocar dinheiro nas casas de câmbio. Outra opção é levar seu passaporte. Nós levamos nossas identidades, mas por precaução também levamos o nosso passaporte e deixávamos trancados na mala ou no cofre do hotel. Dessa forma, em caso de roubo, tínhamos um documento adicional para comprovar nossa identidade.

Quem quiser dirigir por lá, não é preciso tirar PID (Permissão Internacional para Dirigir). Bastar levar sua carteira de motorista. Eu não dirigi por lá, portanto estou somente ecoando as informações que encontrei na Internet quando pesquisei sobre esse assunto.

:: Segurança

Os procedimentos que adotamos por lá foram semelhantes aos adotados aqui. Ou seja, nada de ficar folheando dinheiro por aí ou de ficar mostrando aquela máquina fotográfica robusta em lugares pouco seguros como no centro de Buenos Aires, e nos bairros La Boca e Caminito. Vi várias pessoas fazendo isso despreocupadamente, mas prefiro não arriscar. Se quiser levar sua máquina DSLR para tirar fotos profissionais mas também estiver pensando em registrar todos os momentos com mais comodidade, aconselho levar adicionalmente uma digital compacta e discreta que caiba no bolso.

:: O que mais curtimos em Buenos Aires (em ordem de visitação)

Hotel Querido, City Tour (Buenos Aires Bus), Caminito, passeio pelo centro, Puerto Madero, Museu Fragata Presidente Sarmiento, Feira de San Telmo, Jardim Japonês, Parque de La Flor, restaurante Sarkis, passeio pelo Centro, molho chimichurri, os sorvetes (hummm!).

:: O que mais curtimos em Bariloche (em ordem de visitação)

View Hotel, Refugio Neumeyer, Cerro Catedral, Piedras Blancas, restaurante El Boliche do Alberto, Familia Weiss, alfajor de rosa mosqueta, cervejas artesanais.

Espero que, da mesma forma que os blogs espalhados por aí nos ajudaram a organizar nossa viagem, as informações contidas aqui auxiliem futuros viajantes a preparar seus passeios na terra do tango.
Categories: Pessoal

Lua de mel - Parte 1 (Buenos Aires)

Enxugando Gelo - Fri, 07/22/2011 - 16:19
Após o final de um longo e tenso semestre (ver post anterior) eu e Cê finalmente tiramos um tempo para fazer a nossa lua de mel. Nos casamos em outubro do ano passado e agora finalmente tivemos a nossa merecida viagem.

Apesar da correria do semestre, tentamos organizar nossa viagem na medida do possível. País: Argentina. Destinos: Buenos Aires e Bariloche. Definimos nossa agenda, compramos os vôos, pesquisamos os hotéis para não cair numa cilada e deixamos tudo acertado. Por sinal, para essa tarefa recomendo fortemente o booking e o tripadvisor. Os dois possuem reviews feitos pelos hóspedes que são muito esclarecedores e evitam surpresas desagradáveis. O Booking conta com um sistema de reservas mas não possui tantos reviews quanto o Trip Advisor que possui bastante informação. Com base nas opiniões colhidas nesses sites e em pesquisas na internet escolhemos o Querido B&B em Buenos Aires e o View Hotel em Bariloche.

As passagens foram compradas através do site decolar.com e o melhor preço que encontramos foi o da Aerolíneas Argentinas. O primeiro vôo saía no dia 06/07 para Buenos Aires, no dia 11/07 saíamos de lá para Bariloche e no dia 14/07 voltaríamos de Bariloche para São Paulo com conexão em Buenos Aires.


Algumas semanas antes da viagem, uma desagradável surpresa: o vulcão chileno Puyehue entrou em erupção e lançou cinzas pra todo o lado, incluindo Bariloche e destinos turísticos próximos como Villa Angostura. Uma chuva de cinzas vulcânicas caiu sobre essas cidades e transformou a paisagem. O Parque Nacional Nahuel Huapi ficou coberto de cinzas, incluindo o lago de mesmo nome cujas margens pareciam mais areia movediça. As imagens dos jornais mostravam uma situação aterradora e de desastre turístico. Falta de luz, de água, ar irrespirável, calçadas e ruas lamacentas... Pra completar, mesmo em lugares mais distantes do vulcão como Buenos Aires e no sul do Brasil os vôos estavam sendo cancelados por conta da nuvem de cinzas que era prejudicial às turbinas dos aviões. Ficamos tensos, acompanhando todo dia o status dos nossos vôos e os boletins meteorológicos dos nossos destinos. Através de webcams no site www.bariloche.org podíamos visualizar em tempo real como estava a cidade. Quando as coisas pareciam melhorar, o espaço aéreo era fechado novamente e vários vôos eram cancelados. Essa situação de melhoras e pioras foi se arrastando por vários dias, porém uma coisa permanecia inalterada: o aeroporto de Bariloche estava fechado e as previsões de reabertura não eram nada animadoras. Mesmo assim, tínhamos esperança de que em algumas semanas o vulcão acalmaria e os vôos voltariam à normalidade. Aliás, a melhor coisa que fizemos para nos informar melhor foi ter acompanhado as discussões na comunidade Bariloche no Orkut. Aliás, o Orkut com toda a sua decadência e comunidades inúteis ainda é uma importante fonte de informação. Centenas de pessoas compartilhavam informações e tiravam sua dúvidas com quem já estava em Bariloche, o que era muito mais confiável e atualizado do que as informações datadas dos jornais. As melhores informações vinham de Vanessa Olivatti, uma coordenadora de turismo de Bariloche que fazia upload de fotos e de vídeos diariamente, com notícias ora otimistas ora pessimistas.

Nos dias que antecederam nossa viagem a situação já estava bem melhor. O vulcão tinha diminuído sua atividade e os vôos estavam saindo normalmente. De vez em quando o aeroporto de Buenos Aires ficava fechado por meio período, mas logo reabria. Já o de Bariloche permanecia fechado e a Aerolíneas estava adotando um roteiro alternativo pela cidade de Esquel que fica a 4 horas de Bariloche. De Esquel, o governo estava disponibilizando ônibus gratuitamente para levar os passageiros para Bariloche. Falamos com a Aerolineas e deixamos registrada nossa soliticação de reacomodação nesse novo roteiro, caso o aeroporto de Bariloche não reabrisse até o dia 11/07.

1º dia (City Tour/La Boca/La Bombonera):


Nosso vôo de ida para Buenos Aires foi tranquilo. Chegamos no horário previsto e nos encaminhamos direto para o hotel com um táxi previamente contatado. O motorista era gentil e tentava nos dar dicas sobre algumas ruas e praças ao longo do caminho. Nesse momento percebemos o nosso conhecimento zero de espanhol, mas à medida em que os dias foram passando fomos nos habituando ao idioma e compreendendo melhor. Fomos muito bem recebidos pela proprietária brasileira Mariana que logo nos deu várias dicas sobre passeios e restaurantes. Por conta da correria não tínhamos conseguido planejar nossa estadia em Buenos Aires do jeito que queríamos e decidimos pegar um city tour que saía do centro da cidade para avaliar melhor nossas opções. Como não tinha chegado a hora do check in, deixamos nossas malas na recepção e fomos almoçar no Salgado, um restaurante de massas bem legal que ficava a poucas quadras do hotel.



De metrô seguimos para o centro. O metrô de Buenos Aires é chamado de Subte e é bem antigo (foi o primeiro a ser construído na América do Sul). Lembra um pouco o de Paris, com vagões e traços de arquitetura lá do começo do século XX.

Da famosa calle Florida saía o Buenos Aires Bus. Era um ônibus típico de turistas, de dois andares, com a parte superior aberta propiciando assim uma boa visão 360 graus, ideal para bater fotos e perceber os detalhes da arquitetura dos prédios. Possuía um audioguia em 8 idiomas (incluindo português, claro) com um fundo musical recheado de músicas de Astor Piazzola (a maravilhosa "Fuga e Misterio" ainda não saiu da minha cabeça de tanto que eu ouvi). Foi aí que Buenos Aires começou a nos surpreender. A quantidade de ruas, avenidas, edifícios, monumentos, museus e de parques nos deixou impressionados. Foram mais de 3 horas de circuito passando pela Plaza de Mayo, Casa Rosada, Avenida de Mayo, Plaza Congreso, San Telmo, La Boca, Caminito, Puerto Madero, Palermo, Recoleta e Avenida 9 de Julio onde fica o famoso Obelisco.



O circuito possuía diversos pontos de parada. Nesses pontos o visitante poderia descer e visitar melhor um determinado bairro. O ônibus prosseguia mas bastava retornar ao ponto e aguardar o próximo para continuar o passeio. Fizemos duas paradas: uma no estádio La Bombonera do time do Boca Juniors e outra parada estratégica no Bairro Chino para tomar um chocolate quente. No térreo do estádio há o Museo de La Pasión Boquense com calçada da fama, fotos, troféus e memórias do Boca Juniors. Possui duas estátuas: uma de Maradona e outra de Riquelme que, segundo alguns porteños com quem conversei, é o melhor jogador do mundo, a despeito da fama de Messi que pelo jeito não é muito querido por lá. :-P Tiramos algumas fotos do estádio e do bairro e pegamos o próximo ônibus que diferente do primeiro, possuia um toldo cobrindo o segundo andar (pior para tirar fotos, mas melhor para aplacar o frio que tava de matar).






Ao passar pelo Caminito não descemos pois já era final de tarde, mas decidimos que lá seria o passeio do próximo dia. Quando o ônibus entrou no trecho final do trajeto já era noite e fazia um frio congelante de 4 graus. Foi o dia mais frio durante nossa estadia em Buenos Aires. Em cima do ônibus recebendo aquele vento na cara então, imaginem... Mas curtimos o passeio até o final quando o ônibus retornou para o ponto inicial.





Chegamos já às 21hs no hotel e finalmente fizemos check in. Dessa vez pudemos conhecer o outro proprietário do hotel, o inglês Ali, marido de Mariana, também muito simpático. À noite, jantamos em uma pizzaria indicada pela Mariana, próxima ao hotel. Era jogo da Argentina (a Copa América está sendo realizada lá esse ano) e foi legal ver (e secar) os argentinos torcendo pela sua seleção. Nesse momento em que escrevo, Brasil e Argentina já estão fora da Copa América depois de apresentarem um futebol pífio. Bom para o Uruguai e Paraguai. :-) Satisfeitos e ansiosos pelos próximos dias, voltamos ao hotel e dormimos pesado pois estávamos totalmente exaustos.

2º dia (El Caminito/Parrilla Miranda):

Ainda aproveitando o nosso bilhete de City Tour (compramos para 24hs), pegamos uma carona até El Caminito, uma das ruas mais famosas de Buenos Aires localizada no bairro La Boca, região que acolheu muitos imigrantes europeus. As casas construídas nesse local eram improvisadas a partir de placas de zinco e madeira e pintadas com o que sobrava das tintas das embarcações. Daí vem o colorido intenso e diverso das habitações que agora abrigam bares, restaurantes e muitas lojas de suvenires. É um lugar bonito e cheio de ruelas, repleto de turistas, artistas e, claro, de trabalhadores informais. Foi um dos poucos lugares onde havia assédio aos turistas, principalmente dos garçons que queriam nos arrastar para seus estabelecimentos. Passamos a tarde andando pelas ruas, tirando fotos e visitando as lojinhas e a feirinha. No final da tarde paramos num bar para tomar umas, comer umas empanadas e descansar.






Já era noite quando decidimos voltar de ônibus para o centro e de lá pegar o metrô. O ônibus só aceita moedas e eu ralei um pouco para conseguir trocar meu dinheiro por elas. À noite fomos jantar em Palermo, na parrilla Miranda (parrilla equivale a uma churrascaria no Brasil). Comi o tal Ojo de Bife e Cê pediu um filé. A carne estava gostosa e o lugar era bacana. Fica numa região que lembra a Vila Madalena aqui de São Paulo com muitos bares e restaurantes. O lado ruim da noite ficou por conta do vinho que pedimos, um tal de Latitud 33. Era forte, turvo, desceu quadrado e não reagiu bem no nosso estômago.

3º dia (Centro/Calle Florida/Puerto Madero):

Reservamos o terceiro dia para conhecer o centro, em especial a Calle Florida, um grande calçadão repleto de lojas, galerias e vendedores ambulantes. De lá fomos até a Plaza de Mayo, onde fica localizada a Casa Rosada, sede da presidência da república da Argentina. Era das sacadas da Casa Rosada que Evita Perón mobilizava multidões e a Plaza de Mayo foi e ainda é palco de todo tipo de manifestações. Há mais de 30 anos, todas as quintas, as mães dos filhos desaparecidos da ditadura se reúnem para protestar nessa praça. Esse movimento é conhecido como Madres de Mayo e o símbolo é um xale branco amarrado na cabeça. Curiosamente, encontramos esse símbolo desenhado por todo o centro cívico de Bariloche, nosso outro destino.

Depois de visitar a praça, pegamos a Avenida de Mayo, uma das mais belas da cidade. Essa avenida é repleta de edifícios de estilo europeu e possui alguns estabelecimentos famosos como o Teatro Avenida e o Café Tortoni. Nesse último, entramos para conhecer e recuperar as energias com um lanche que achamos "marromeno". Mas vale a visita pela beleza do interior.

Continuamos nossa caminhada passando pela imensa Avenida 9 de Julio, uma das mais amplas do mundo. Nessa avenida fica localizado o Obelisco e o teatro Colón, a sala de espetáculos mais importante da cidade, palco de shows de balé e de música. Deve ser lindo o interior do teatro, mas quando chegamos lá o horário de visitação já tinha passado. Fica pra próxima. :-) Não ficamos muito tempo na avenida pois queríamos aproveitar o pôr-do-sol em Puerto Madero. No meio do caminho nos deparamos com uma passeata e quase fomos literalmente atropelados. Só deu tempo de atravessar a rua correndo e se abrigar no espaço de uma galeria. As eleições eram no domingo e as manifestações estavam ocorrendo todos os dias.






Puerto Madero é um lugar lindo. É um bairro nobre, com prédios modernos e cheios de escritórios. Era o antigo porto de Buenos Aires que foi totalmente remodelado na década de 90. Hoje abriga restaurantes e hotéis chiques que ficam nas margens do Rio de La Plata. Um prédio da PUC também fica por lá. Possui diversas pontes, mas a mais bela com certeza é a Puente de La Mujer (Ponte da Mulher), uma obra prima arquitetônica que fica no dique 3. Próximo à essa ponte, no mesmo dique, está atracada a Fragata Presidente Sarmiento, um navio museu belíssimo com praticamente todos os compartimentos acessíveis aos visitantes. Muito legal esse museu. Dá pra ver desde a cabine do capitão até as entranhas da casa de máquinas. Se você for em Buenos Aires, não deixe de visitar Puerto Madero e se visitar Puerto Madero não deixe de visitar esse museu. A vista do Rio de La Plata com os edifícios ao fundo também é linda tanto de dia quanto de noite.








Cansados de tanto andar, voltamos para o hotel e rapidamente nos arrumamos para o jantar que nesse dia seria especial. Tínhamos feito uma reserva no El Querandí, uma casa de tango que fica no bairro San Telmo. O jantar não era nada demais, mas estava gostoso. Ao menos, não tivemos uma surpresa desagradável com o vinho, esse sim delicioso. O show foi muito legal. Através de vários quadros, contava a história e a evolução do tango e dos seus personagens. A casa não era grande e permitia uma melhor proximidade com o palco. Os músicos e cantores que acompanhavam as performances eram muito bons. Voltamos satisfeitos e prontos para mais um dia de passeios. Mas quando chegamos no hotel, más notícias: nossos vôo para Bariloche tinha sido cancelado. Na verdade esse cancelamento era previsível já que o aeroporto de Bariloche continuava fechado. O problema era que não estávamos reacomodados no roteiro alternativo via Esquel. Fomos dormir um pouco tensos.





4º dia (Palermo/Villa Crespo/Malvon/Té Mataré Ramirez):

Primeira providência do dia foi telefonar para a decolar e verificar o status do nosso vôo. De fato, tinha sido cancelado e a Aerolineas não tinha nos reacomodado em outro vôo como havíamos pedido. Fomos num locutório (é como eles chamam as lan houses) e perdemos praticamente a manhã toda tentando ligar para a Aerolíneas, sem sucesso. Ligamos também para a decolar mas a solução permaneceu inalterada. Deixamos o problema para depois e fomos passear pelas ruas de Villa Crespo e Palermo, conhecidas pelos seus outlets de marcas famosas. Foi bom para conhecer a região, contudo, em termos de compras, foi um tanto quanto inútil já que os preços não eram nada baratos como propagandeavam por aí. Mas as lojas especializadas em artigos de couro valeram a pena pois, essas sim, estava com preços abaixo da média. Voltando ao hotel, fizemos uma parada na Confeitaria Malvon, um café charmoso com delícias de todos os tipos.



Nesse dia, fomos jantar no Te Mataré Ramirez. É um restaurante afrodisíaco com pratos temáticos que possuem nomes e descrições eróticas. O jantar é acompanhado por shows que buscam divertir e provocar os clientes. A decoração remete a um cabaré de luxo com muito vermelho, cortinas e velas por toda parte. No dia em que fomos era dia do show RuBoR - Sexo al Oído (Sexo ao ouvido), uma espécie de stand up comedy que andava na linha tênue entre o humor e a pornografia. Demos boas risadas e acho que valeu a pena a experiência. Fiquei curioso para saber como são os outros shows.



5º dia (Feira de San Telmo/Jardin Japonês/Floralis Generica/Feira da Recoleta):

Esse dia foi massa, mas começou chato. Tensos por conta do vôo cancelado, nos dirigimos bem cedo ao aeroporto para falar diretamente com a Aerolíneas (dispensamos até o café da manhã do hotel para não perder tempo). Fomos atendidos no balcão de vendas e depois de um pouco de espera fomos reacomodados em um vôo para Bariloche via Esquel no mesmo dia 11. Porém, a volta também tinha sido cancelada e não havia mais como nos reacomodar em outro vôo no dia 14. A única opção era retornar a partir do dia 17. Pensamos um pouco e resolvemos estender nossa viagem até o dia 17. Passamos meses pensando em Bariloche e agora que estávamos tão próximos não achamos justo cancelar essa parte da viagem por causa de 3 dias.

Resolvido essa pendência, fomos passear com um pouco mais de tranquilidade. Do aeroporto fomos direto para a feira de San Telmo. O bairro é bem bonito com diversos casarões e belas fachadas e a feira de rua é enorme e bastante movimentada com muitos comerciantes, artistas e claro, turistas everywhere. Pra quem gosta de feiras de rua, essa foi realmente sensacional. Tinha de tudo por lá, muitas antiguidades, livros, souvenires, quadros, performances artísticas, bandas de rua, artigos para casa, cozinha e até um mercadão de frutas, verduras e carnes. Em uma pequena praça na rua Chile, sentada em um banco está a estátua da Mafalda, personagem de quadrinhos bastante popular. Tem fila pra tirar fotos com ela. :-)




Sem perder tempo, pegamos um táxi e fomos direto para o Jardim Japonês na Recoleta. E o lugar é muuuuito bonito. Tirei trocentas fotos por lá e achei tudo maravilhoso. Fica localizado no Parque 3 de Febrero e possui um riozinho, com pontezinha, cachoeirinha, bonsai, enfim, todo aquele show de jardinagem típica que os japoneses dominam com muita maestria.




Do Jardim Japonês fomos caminhando pelo bairro da Recoleta até o MALBA mas, não sabemos porque cargas d'água, estava fechado. Continuando a caminhada, chegamos à belíssima faculdade de direito. No parque ao lado está a Floralis Generica, uma estrutura metálica gigante em forma de flor que se abre durante o dia e que se fecha durante a noite (atualmente está desativada, o que é uma pena, mas mesmo assim é um monumento bonito 'bagarai'). Antes de explorar o parque, contudo, fomos almoçar no Museu Ferrari que fica em frente afinal já eram 16hs e eu estava morto de fome.




Depois de visitar o parque, atravessamos a avenida por uma ponte esquisita com cor de chiclete (não encontrei o nome dessa bexiga) e percorremos a feira da Recoleta na Plaza Francia. Diferentemente da Feira de San Telmo, essa feira era povoada por barracas de artesanato, centenas delas. A feira fica em uma ladeira e no topo dela fica o cemitério da Recoleta e a Basílica Nossa Senhora do Pilar. Demos uma olhada no interior da igreja e aproveitamos também para conhecer a Buenos Aires Design, um centro comercial voltado para arquitetura, design e decoração.



À noite, escolhemos jantar no Sarkis em Villa Crespo, um restaurante armênio/libanês que nos foi recomendado pela Mariana. Foi um dos restaurantes com o melhor custo benefício que encontramos em Buenos Aires. A comida é farta e deliciosa. Pedi um patarrão de carneiro com molho branco e comi tudo. Cê pediu bolinhos de falafel que também estavam deliciosos. No caminho para o restaurante passamos em frente a uma milonga (clube de tango com espaço para aulas de dança) mas desistimos de entrar pois o movimento estava fraco e estávamos muitíssimo cansados.

Voltamos para o hotel e fomos dormir ansiosos pelo próximo dia. Foi nossa noite de despedida em Buenos Aires já que na manhã seguinte pegaríamos um vôo para Bariloche, nosso próximo e tão aguardado destino. Mal sabíamos que seríamos surpreendidos novamente... (continua)
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O semestre

Enxugando Gelo - Tue, 07/19/2011 - 23:37
Se tivesse uma só palavra para descrever esse semestre, seria: tenso. Desde situações frívolas como retirar a carteira de motorista até problemas de saúde na família, incluindo um semestre acadêmico decisivo e extenuante (nem mesmo durante a lua de mel os deuses pareciam estar do meu lado mas deixo isso para o próximo post) encerro a metade do ano com o alívio de perceber que algumas coisas foram superadas. Em relação ao meu doutorado, em particular, processos importantes estão em andamento e em breve, espero ter ótimas notícias para anunciar por aqui. Por enquanto posso dizer que finalmente estou livre de disciplinas e provas forEVER. Aulas agora, só quando eu virar professor, espero, rs.

TENSO
Aliás, o nível de tensão desses 6 meses foi o principal culpado pela baixa frequência com que tenho escrito por aqui. Anyway, segue uma breve descrição dos ocorridos.

:: Natal e Reveillon

Eu e Cê passamos o natal no interior da Bahia, com a família dos meus pais. Teve o tradicionalíssimo amigo secreto (cheio de marmeladas, há quem diga) e muitos reencontros de primos e tios. O reveillon passamos em Maceió com os pais e a irmã de Cê. Fomos à praia ver os fotos de artifício e, durante o tempo que passamos lá, aproveitamos para visitar amigos e matar as saudades. :-)

Presentes do amigo secreto
Eu e Cê (com minha "barba experience face")
:: Janeiro

Ainda em janeiro, após o reveillon, eu e Cê aproveitamos para resolver outra pendência casamentística: ensaio fotográfico. Fazia parte do pacote que fechamos com o fotógrafo Antônio Fon (que mais uma vez recomendo a todos). Ele nos levou até Marechal Deodoro, uma cidade pitoresca que fica a 30km de Maceió, perto da praia do Francês. Tiramos váaaarias fotos por lá e ficamos bastante satisfeitos com o resultado.

(Fotógrafo: Antônio Fon)
(Fotógrafo: Antônio Fon)
:: Carnaval

Optamos por passar com minha irmã na casa de praia do namorado dela que fica na Ilha Comprida, uma estância balneária situada no litoral sul de São Paulo. Só pra ter uma idéia de como o tempo e o dinheiro aqui é curto, desde que viemos morar em São Paulo essa foi somente a segunda vez que fomos visitar alguma praia paulistana. O carnaval lá foi animado por blocos de rua com escolas de samba e pequenos carros alegóricos. Acabei entrando numa cilada lá e embarquei num desses blocos junto com a galera. Pra quem mora em Salvador e entende o significado da palavra "muquiranas" tem uma idéia do que estou falando. Foi trash mas foi divertido, rs.

Cê, Jacque e Léo
Cilada...
:: Semana Santa

Durante a semana santa, matamos a saudade com nossos respectivos parentes. Inicialmente, eu em Salvador e Cê em São Paulo estudando (tadinha). Uma semana depois, invertemos: eu em São Paulo, estudando, e ela em Maceió.

:: São João

Aproveitando a curta estadia de minha irmã em Santos, aproveitamos para visitar e conhecer melhor a cidade. Não rolou forró, mas foi bem legal. Uma noite em particular, fomos para o centro de Santos e viramos a madruga num bar ao som de uma ótima banda. Rolou até "Killing in the name of" do RATM no finalzinho.

Eu e Cê na linha do trem
:: Dia-a-dia

Quanto ao cotidiano em Sampa, foi como falei e repito: tenso. Tive uma disciplina teórica obrigatória que quase me fez virar algumas noites e me deixou frustrado durante a maior parte do tempo. Perder não era uma opção e isso me deixou bastante ansioso durante as provas (coisa rara). Mas no final, consegui superar mais essa (e me superar também). Fiz também o terceiro semestre seguido no curso de francês no CAVC Idiomas e fiquei feliz com o meu progresso. Acho que evoluí bastante. Agora tenho o tempo livre para focar no meu projeto de doutorado que andava meio pra escanteio ultimamente. Mas os dias não foram preenchidos só com estudo. Entre um domingo e outro às vezes achávamos uma brecha para um piquenique ali, um teatro aqui, um cineminha acolá, enfim, coisas vitais para manter a sanidade física e mental.

Piquenique no Ibirapuera (John Pizzarelli no palco)
Domingo de sol no Ibirapuera
Dia dos namorados: fondue! :-)
No próximo post (ou próximos porque a parada vai ser longa, rs) vou fazer um relato de nossa viagem de lua-de-mel. Foi inesquecível, em todos os sentidos. Té +!
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new website

Tiago Vaz - Sun, 01/30/2011 - 23:03

I’m switching from WordPress to a virtual private server. I’m playing with a Gandi.net VPS. So far, I’m happy with their domain registration service. Also, they offer some discounts for Debian people. Btw, I still have a promo code for a one month free VPS share which I’m allowed to give away.

For my new website (same old URL) I’m using PyBlosxom over Lighttpd in a Debian GNU/Linux system. I want to keep things simple by git-pushing plain text files for all html content.

For the blog system I’ve just written a plugin which gives PyBlosxom the (very nice!) txt2tags formatter (source: t2t.py). There’re still issues to fix but it’s working quite well.

So, thanks WordPress for all the fish. This is probably my last post here. (although I’m keeping the current account active for comments)


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